
Dia 1 - Afinal, as 8 horas de Jet Lag era o menor
dos nossos problemas…
Depois de mais uma noite quase inexistente, descobrimos logo pela manhã que
o jet lag afinal não era o maior desafio da equipa.
Descemos para
o pequeno-almoço cheios de entusiasmo, convencidos de que o pior já tinha
passado... Mas enganámo-nos.
Durante a
viagem, um dos quatro motores do CHARMIE decidiu que também queria férias e
avariou. Resultado? Tivemos de o desmontar completamente, reparar componentes
mecânicos e eletrónicos e voltar a montá-lo. Felizmente, depois de uma pequena
"cirurgia robótica", o paciente sobreviveu.

Reparação do motor
Ainda tivemos
de tratar de outras pequenas mazelas provocadas pela viagem. Afinal, atravessar
meio mundo fechado em nove malas deixa marcas até num robô.
Depois
preparamos a nossa central de cargas, de fazer inveja à E-REDES.

Central de carregamento (LAR@E-REDES)
Entretanto,
mudámos o nosso "quartel-general" para o último andar do hotel, numa
sala com uma vista fantástica sobre o Central Park de
Incheon. Se era um escritório de luxo? Sem dúvida. Se conseguimos apreciar a
vista? Muito pouco... havia um robô para pôr a funcionar!

Trabalhar com qualidade

As vistas (que perdemos)
E quando o
CHARMIE começou finalmente a falar... começou também o espetáculo.
Os hóspedes do
hotel foram aparecendo, primeiro por curiosidade, depois por entusiasmo. Em
poucos minutos já havia uma pequena plateia à nossa volta, cheia de perguntas:
"O que é isto?", "O que faz?", "Veio mesmo de
Portugal?"
A certa
altura, estavam tão envolvidos no projeto que passaram de espectadores a
colaboradores. Houve até uma missão muito especial: colocar funcionários do
hotel à procura de alfinetes de bebé. Sim... alfinetes de bebé. Descobrimos que
também fazem parte do equipamento indispensável para vestir corretamente um
robô humanoide!
O CHARMIE
também ganhou um pequeno "tratamento estético". A coluna de som
estava demasiado saliente e parecia que o pobre robô tinha saído de Portugal
com uma mochila escondida debaixo da camisola. Depois de alguns ajustes, voltou
a apresentar uma silhueta bem mais elegante.
Enquanto isso,
alguns elementos da equipa foram cumprir outra missão de elevado risco: comprar
bens essenciais. O problema? A maioria das lojas não fala inglês. Entre gestos,
sorrisos, tradutores automáticos e muita criatividade, lá foi possível regressar
com tudo o que era preciso... ou pelo menos esperamos que sim.
Como membro da
organização, aproveitei ainda para visitar o recinto da competição. A arena
está praticamente pronta para receber milhares de participantes a partir de
amanhã. As casas onde irão decorrer as provas do @home ainda estão em
construção, mas ainda há tempo para lhes dar os últimos retoques.

Casa do CHARMIE a ser montada
Outro dos
grandes momentos do dia foi reencontrar muitos amigos de longa data da
comunidade RoboCup. Depois de tantos anos a participar nestas competições, cada
edição acaba por ser também um enorme reencontro entre pessoas que partilham a
mesma paixão pela robótica.
Entretanto
descobrimos que o hotel já tem... um robô! É um robô de entregas, que leva
encomendas aos quartos. Ainda estamos a tentar perceber se veio dar-nos as
boas-vindas... ou se está apenas a espiar a concorrência.

O nosso rival do Hotel
Ao final do
dia fizemos uma pausa estratégica para recuperar energias com um kebab (porque um robô também precisa de uma equipa
alimentada), regressámos rapidamente ao hotel... e voltámos ao trabalho.
Quando demos
por ela, o relógio marcava novamente 3:00 da manhã.

O caos num quarto de hotel
Começamos a
suspeitar que o verdadeiro fuso horário do RoboCup é simplesmente UTC+ProgramarAtéCair.
Amanhã começa
a verdadeira competição... mas, sinceramente, depois
destes dois primeiros dias, já sentimos que passámos pelas eliminatórias!
Aproveitamos
para agradecer a todos.

A montra de patrocinadores do CHARMIE
Apoios:
