
Dia 6 — Sem pequeno-almoço, sem microfone... mas
ainda com final à vista
O dia começou às 6:30 da manhã, que é aquela hora
maravilhosa em que o corpo ainda está em modo avião, mas a competição já está
em velocidade de cruzeiro.
Fomos para o RoboCup sem pequeno-almoço, porque
aparentemente a equipa decidiu substituir a primeira refeição do dia por
adrenalina, stress competitivo e fé no CHARMIE.
Fomos diretos para a prova do restaurante e, apesar de
o estômago estar vazio, o CHARMIE portou-se muito bem: ficámos em 2.º lugar.
Foi bonito. O robô servia no restaurante e nós precisávamos era que alguém nos
servisse café.

O CHARMIE servia refeições. Nós só pensávamos na próxima
Depois veio a parte técnica do dia, também conhecida
como “coisas que só se partem quando não podem partir”. Partiu-se o suporte do
microfone. E, como sem microfone o robô não ouve, passámos rapidamente de “robô
autónomo” para “robô que precisa que lhe falem por gestos”. Mas nada que
desmotivasse a equipa, e com um ferro de soldar, algum plástico, e num contra-relógio, lá se refez rapidamente o suporte.

Sem microfone... até a inteligência artificial faz
ouvidos moucos
Na prova seguinte, o CHARMIE fez os mesmos pontos do
dia anterior. No laboratório, esta prova saía sempre perfeita. Aqui, o CHARMIE
decidiu que era melhor manter o suspense. Afinal, se tudo corresse bem logo à
primeira, isto parecia fácil.
Durante o dia recebemos a visita do Dr. Fernando
Moreira, da DigitalSign, um dos nossos
patrocinadores. Foi um enorme prazer recebê-lo no nosso stand. Há apoios que
ficam apenas estampados na t-shirt... e há apoios que atravessam meio mundo
para nos vir dar um abraço e dizer "estamos convosco". Esses valem
muito mais. O CHARMIE também ficou feliz com a visita, embora, e até pediu uma selfie. E confesso que a visita soube ainda melhor
porque, ao fim de tantos dias, a equipa já começa a ter aquele aspeto de quem
foi renderizada em baixa resolução.

Os bons apoios também fazem check-in no RoboCup
Também visitámos o stand da MathWorks,
onde estavam a trabalhar com um Bot’n’Roll. Foi quase
como encontrar família portuguesa no meio da Coreia. Ainda por cima
ofereceram-nos meias e t-shirts do MATLAB, o que confirma que, no RoboCup, até
os brindes vêm com espírito de engenharia.

Entre algoritmos e brindes, viemos mais bem vestidos do que entrámos
Depois chegou o momento da grande fotografia de grupo
do RoboCup. Quase todos os participantes foram chamados, o pavilhão esvaziou e
o público ficou a olhar para aquilo como quem pensa: “Então
mas os robôs ficaram sozinhos?”. Foi um momento especial porque, o muito
público presente viu os participantes a deixarem-nos sozinhos, e começaram a
desconfiar se teria valido a pena terem comprado o bilhete para não ter equipas
a jogar.

Durante cinco minutos... o RoboCup ficou sem robôs e sem humanos
Pelo meio, fomos ter com os organizadores do RoboCup e
oferecemos-lhes o livro sobre Guimarães que a Câmara Municipal ofereceu. Uma
pequena forma de levar um bocadinho da nossa cidade até ao outro lado do mundo.
E os organizadores ficam eternamente agradecidos pelo pequeno gesto.

Levando um bocadinho do Berço de Portugal para o outro lado do mundo
Ainda houve tempo para ver um jogo da MSL (onde
jogamos mais de 25 anos) e conversar, naturalmente com boa disposição, com o
René e a sua equipa TechUnited.
Também tentamos comprar t-shirts do RoboCup
mas esgotaram, porque há coisas importantes na vida: pontos, finais... e
t-shirts de eventos.
Na prova de Laundry, o
CHARMIE fez praticamente tudo. Abriu a porta, posicionou-se, meteu o braço no
tambor, esforçou-se... mas não apanhou a roupa. O júri
colocou a roupa tão lá para trás que aquilo já não era roupa dentro da máquina,
era roupa em profundidade arqueológica. Faltou pouco para pedirmos uma
escavadora. Por isso não melhorou a classificação desse desafio.
Depois juntámos todos os portugueses presentes no
RoboCup e tirámos a fotografia oficial para o site da Sociedade Portuguesa de
Robótica. Um momento bonito, com todos juntos, a mostrar que Portugal pode ser
pequeno no mapa, mas no RoboCup aparece sempre em força.

Portugal é pequeno... até se juntar todo numa fotografia.
Ao jantar soubemos que fomos ultrapassados pelos NimbRo, a equipa alemã que, discretamente, aparece com três
robôs. Nós temos o CHARMIE. Eles têm praticamente uma pequena frota. Assim
também nós íamos ao pódio com escolta :-)
Passámos então para o 3.º lugar. Mas sabendo que, das
24 equipas iniciais, apenas as 6 melhores passam à final de amanhã, nós estamos
lá. E isso deixa-nos contentes.
Depois de jantarmos um taco — porque já nem sabemos
bem em que país gastronómico estamos — voltámos ao trabalho até às tantas da
manhã.
E mesmo antes de regressarmos ao hotel, ainda houve
tempo para um daqueles momentos que acabam por ficar gravados na memória. Sentamo-nos
com outra equipa, grandes amigos de longa data, os TechUnited
(Eindhoven), e partilhámos um bom vinho do Porto. Falámos dos desafios, das
vitórias, das dificuldades e de tudo aquilo que só quem vive este mundo do
RoboCup consegue compreender verdadeiramente. No meio da pressão, dos horários
impossíveis e do cansaço acumulado, aquele brinde soube muito mais do que a
vinho: soube a amizade, a respeito mútuo e à certeza de que, no fim de contas,
as maiores conquistas não são apenas os resultados, mas as pessoas
extraordinárias que esta aventura nos permite encontrar pelo caminho. Que momento...

Sentir Portugal, com amigos de longa data
Cansados? Muito.
Com sono? Sempre.
Com fome? Depende da hora e da distância ao próximo
taco.
Mas ainda dentro da luta.
E amanhã... amanhã é final.
Lá estaremos, para mostrar ao mundo onde fica
Portugal, e a Universidade do Minho, e o Laboratório de Automação e Robótica.
E este grupo merece tudo.
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